Como lidamos com o nosso tempo?

O tempo é igual para todos.

Está à nossa disposição um dia com 24h00 para que possamos desfrutar da nossa vida.

E se o tempo disponível é igual a todos. Mas nossa noção de passado, presente e futuro é diferente, cada um tem uma noção sobre “o passar do tempo”.

O passado é o tempo que não volta mais. Torna-se a nossa história.

O presente é o tempo atual vivido nesse momento.

O futuro é o empo que está por vir.

Parece simples e de fácil entendimento, mas não é!

Você sabia que para muitos o tempo é um empecilho, um obstáculo, uma fonte de ansiedade, angústia e depressão?

Para entender o que representa isso, te digo que essa é uma das questões que mais traz problemas ao ser humano.

Muitos ficam presos no passado,

Outros ficam somente pensando no futuro,

Outros não conseguem viver o presente por causa dessas amarras e param tudo, ficam paralisados por esse paradoxo existencial temporal.

E aí reside a maior fonte de distúrbios e transtornos mentais, tais como ansiedade, fobias, entre outros.

No campo profissional pode se dizer que o tempo é uma das maiores fontes de conflitos organizacionais. Planejamentos, orçamentos, planilhas, cronogramas movem as empresas.

Controle de ponto, horas extras, atrasos, prazos, metas, objetivos, tudo atrelado ao tempo.

Já que o tempo interfere tanto em nossas vidas, porque não valorizamos essa riqueza inestimável, porque teimamos e desafiar o tempo.

É incrível, mas se temos algo a fazer, muitas vezes deixamos “para última hora”.

Quando atrasamos algo tentamos justificar o injustificável,

Quando temos conta para pagar, pagamos no fechamento do banco.

Quando vamos comprar um presente, vamos no último dia.

Quando temos que lembrar algo, as vezes a memoria falha.

Quando somos cobrados de algo, dizemos que não deu tempo.

Quando somos cobrados para uma conversa, uma visita, uma tarefa, dizemos que não temos tempo.

Incrível, num é mesmo!

Porisso a gestão do tempo, a administração do tempo, o controle do tempo é tão importante.

Nossas ações precisam ser dimensionadas com a determinação do tempo que temos disponível para executar nosso propósito.

Precisamos compreender esse dimensionamento e desenvolver o senso de urgência.

Definir o que é prioritária, o que demanda mais tempo, o que é urgente e emergente.

Se a pandemia está deixando lições, certamente uma delas é sobre o uso adequado do tempo.

Como exemplo falo do respirar, que para nós é automático, sobra ar em nossos pulmões.

Mas para aqueles doentes de Manaus o Ar é urgente, e os tubos de oxigênio faltaram.

Sem ar, sem tubo de oxigênio, os doentes foram a óbito. O tempo foi cruel com eles.

O tempo deles foi diferente do tempo dos gestores hospitalares.

Quando o oxigênio chegou, aquelas pessoas já não tinham mais tempo!

O tempo se esgotou.

Senso de urgência é isso, uma luta contra o tempo, contra os obstáculos e limitações determinadas pela vida.

Precisamos diariamente exercer o senso de urgência em nossas vidas.

Diante do tempo não podemos brincar.

Desperdiçar então, nem pensar.

Muitos ocupam seu tempo com coisas fúteis para não pensar nas coisas essenciais para suas vidas, para melhorar suas vidas!

Temos ouvido: Nunca é tarde para começar!

Ou ainda: Antes tarde do que nunca!

São crenças!

São posturas de muitos!

São verdades! Assim como também: Tampo que vai num volta mais!

Ou outra verdade: Tempo é dinheiro!

Você vê como são as coisas!!!

Nenhuma das afirmações está totalmente certa, ou totalmente errada!

Quando se fala em tempo, tudo é relativo!

A minha noção do tempo que passa é diferente da sua noção sobre tempo que passa.

Posso sentir, perceber o tempo passar rápido! Você já pode ter uma percepção de que o tempo está demorando passar! Para um está acelerado, para o outro já está devagar, um marasmo!

Porém o que precisa ser percebido pelos dois é de como o tempo está sendo utilizado, gasto.

Se de maneira produtiva, proveitosa ou de maneira improdutiva, com desperdício!

Realmente é apaixonante falar sobre gestão do tempo!

Talvez ninguém tenha uma fórmula, uma receita, uma diretriz perfeita sobre sua utilização!

Mas faça a sua melhor gestão do tempo! Sua vida agradece!

Um forte abraço,

Arnaldo Pereira dos Santos

Psicologo

RELACIONAMENTOS TÓXICOS

Relacionamentos tóxicos: saiba mais sobre o tema

Sabemos que relacionar-se é uma característica humana, essencial para sobrevivência.

Provavelmente não teríamos sobrevivido ao longo do tempo se não tivéssemos essa característica inerente à raça humana.

Somos fisicamente mais frágeis que inúmeras espécies animais.

Se não tivéssemos a união para sobreviver, não chegaríamos até os dias atuais.

O relacionamento evoluiu com a evolução da raça humana.

Nossas primeiras experiências com relacionamentos surgiram no seio da família, passa pelos bancos escolares, solidifica com o trabalho e por aí vai ao longo da vida.

A habilidade de relacionar-se necessita de outra habilidade que desenvolvemos com o tempo, a habilidade da comunicação.

Comunicar-se bem ajuda na construção de relacionamentos.

Na infância, nosso relacionamento com os pais passa pelo aprendizado da comunicação.

Inicialmente é um choro, um sorriso, um grito de dor, tudo para chamar a atenção de quem cuida da gente, seja para alimentar-se, trocas as fraldas, receber carinho.

Esses laços construídos na infância prolongam-se pelo resto da vida.

Vínculo sólido, genuíno que é o alicerce para grande parte dos indivíduos.

Quando chega a fase de frequentar a escola somo submetidos a novas experiências com relacionamentos.

Surgem as figuras dos professores, dos amiguinhos, dos pais dos amiguinhos. Desenvolvemos a partir daí a capacidade do convívio social.

Confrontamos aquilo que nossos pais ensinaram, com o que a sociedade pratica.

E por aí vai até a adolescência, fase em que muitos começam também a trabalhar, fazer estágios, profissionalizar-se para futuramente conseguir o sustento para a geração de novas famílias, novas crianças, que garantirão o ciclo da vida.

Só que nesse meio está a formação da personalidade, do caráter, da ética, das competências do indivíduo.

Começamos a confrontar nossos interesses com outros interesses, começamos a usar do poder, da persuasão, da negociação, da imposição, da política.

Começam aí questões que geram muitos conflitos, muito desgaste, inclusive transtornos de personalidade. Essas interferências na vida cotidiana muitas vezes provocam sofrimento, cicatrizes, sequelas, geram angústias difíceis de solucionar sem uma ajuda especializada.

Na fase familiar é passado o valor de que o ser humano precisa criar sua família, seus filhos, construir um lar ideal, que lhe traga felicidade.

E o ser humano vai em busca desse relacionamento.

Experimenta a convivência a dois, que muito prazer lhe traz.

Porém desse relacionamento também surge dependência emocional, pressão, cobrança, implicância, opressão.

Normalmente provocada pela parte que tem em suas características o individualismo, o egoísmo, a agressividade, a sedução, o sentimento de posse sobre o outro, sem falar do oportunismo em tirar proveito da situação.

O relacionamento que tinha como objetivo a felicidade, transforma-se num relacionamento tóxico, perverso, muitas vezes sádico.

Da mesma forma as relações profissionais.

Somos contratados numa empresa para seguir uma carreira, conquistar objetivos e metas, realizar um sonho, ter poder e visibilidade.

Só que outras pessoas também desejam tudo isso.

E a vida profissional vai afunilando os relacionamentos.

Com isso começam as competições, as intrigas, os conflitos, a politicagem!

Tudo para que esse destaque promova alguém, dê os louros da vitória a alguém.

Essas relações profissionais não são muito justas, causam decepções e frustrações. Provocam ira e mágoas.

Os relacionamentos começam a ser desviantes, superficiais, interesseiros.

Começam a surgir questões que no meio organizacional chamam de “puxa-saco”, de “X9”, informantes.

Os relacionamentos já não são mais sinceros, predominam o “toma lá da cá”, “dando que se recebe”, negociações e negociatas.

Surgem os grupinhos do poder, surgem questões ligadas a favorecimento e indicações, tudo predominando à capacidade, desempenho e produtividade.

Toda essa descrição para falar dos relacionamentos tóxicos.

Eles aumentaram na pandemia, a crise sanitária e econômica fez com que as pessoas deteriorassem seus relacionamentos familiares, profissionais, afetivos de uma maneira assustadora.

Assédio moral, assédio sexual, humilhações, manifestação gratuita de poder são tornadas públicas a cada dia.

Para não falar de agressões físicas que também vieram à tona contra mulheres, LGBT+, crianças, animais.

Temos uma crise de relacionamentos em andamento.

Diferenças de personalidade, irritação, desespero, perda da razão.

Mas essas são as manifestações extremas!

Elas surgem de uma elevação de voz, uma crítica severa, uma piada de mau gosto, um xingamento, um pequeno tapa.

Que é relevado, que é tolerado na esperança de ser um destempero momentâneo, um comentário do tipo “ahh esse é o jeito dele, não liga não, vai passar!!!!!”.

Porém não passa!

O relacionamento tóxico é encoberto por nós em razão de ter um sentimento envolvido, uma esperança que temos de melhora, uma dependência que criamos em relação à pessoa tóxica.

Mas porque isso acontece?

Esse envolvimento, essa dependência, essa tolerância!!!

Cada caso é um caso, pode passar pela carência, pode passar pelo estilo de personalidade, pode passar pelas experiências vividas na infância com pais tóxicos!

Mas é preciso um basta, uma atitude de reagir a essa situação, para que nossa saúde física e mental seja restabelecida, retomada, resgatada.

Talvez não exista uma receita, uma fórmula para que essa questão seja de vez resolvida!

Porém é inegável que amor próprio, autoestima elevada, reconhecimento do nosso valor e do nosso potencial, poderão ser importantes formas de blindar contra os relacionamentos tóxicos, abusivos e sufocantes, que tiram nosso brilho e nossa energia.

Espero que o texto tenha trazido uma reflexão sobre o tema, tão importante para nossa sequência de evolução e desenvolvimento físico, emocional e social.

Arnaldo Pereira dos Santos

Psicólogo